
Um sobrado de paredes brancas encardidas, às janelas, jardineiras guardam violetas murchas e tristes. As mesmas janelas, fechadas, criam a escuridão e o clima pútrido das salas empoeiradas com incontáveis jornais entulhados que mostram notícias frias. A cozinha sem asseio, louças sujas na pia. No segundo andar, uma estante mostra livros nunca lidos, uma capricho sem sentido. A cama de casal tem apenas um lado – o esquerdo – desarrumado. O amargor da solidão queimava em sua língua.
MR