“Quando não sabem que você comporta-se ironicamente, quem fica como idiota é você”.
- Por muito, foi irônica. Uma insistente criança de 13 anos, preocupada em afirmar seu lugar em um grupo (assim como todas as outras crianças de 13, 14, 15, 30 anos), usando expressões desconhecidas aos demais “coleguinhas”, com um humor ácido que os desconcertava e que comumente levava à um dos maiores problemas em ser irônico: “Quando não sabem que você comporta-se ironicamente, quem fica como idiota é você”.
- Claro que seu círculo de amizades, pouco acostumado com tal comportamento, não aprovou, afinal de contas, ninguém gosta de ser feito de bobo. Acontece que ela já tinha gosto pelo coisa e, para seu azar, levava jeito. Mas o mundo dá voltas e algum tempo depois, ser irônico virou tendência e todos aqueles que reprovaram seu comportamento, agiam como ela.
- Não era de seu feitio assentar e assistir seu charme se popularizar, já que além do Mal da Ironia, também havia sido acometida pela Síndrome Underground. Optou por algo mais classudo, o sarcasmo. Ao contrário da ironia, que é uma ofensa aberta e dirigida, ao usar do sarcasmo, sua vítima muitas vezes nem sabe que é uma vítima. Com comentários suaves e aparentemente aéreos, ria só.
- Em pouquíssimo tempo, todos já sabiam quando eram vítimas e claro, pagavam na mesma moeda. Mas outro fator era mais letal a sua saúde, ser underground virou moda, por mais paradoxal que pareça, realmente aconteceu. Cansada de correr e mudar, passou a fingir que odiava rótulos, ouvindo Strokes enquanto se arrumava para micareta, fazendo o que bem entendia desde que a divertisse, era o seu mantra e lema. Agora era cínica.